quarta-feira, 15 de junho de 2016

Vício tem cura?

Conheça o tratamento que está tirando milhares de pessoas do mundo das drogas

Fonte:  Folha Universal
     
Falar de vícios para muitas pessoas é um assunto difícil e delicado, principalmente porque o problema não envolve só o viciado. A família do usuário também sofre, pois é arrastada no turbilhão das drogas, perdendo, inclusive, a esperança de encontrar uma solução ou quem sabe acreditar em uma cura para um ente querido que se transforma em um estranho dentro de casa, sendo capaz de vender objetos ou até roubar familiares para obter a droga.
O ex-usuário Ricardo Sanson (foto ao lado) conta que seu primeiro contato com entorpecentes aconteceu quando tinha 12 anos. “Comecei com a maconha e fui para o lança-perfume. Com 18 anos, conheci a cocaína. A partir daí, abri mão de uma série de coisas, como esposa, família, filhos, convivência e sentimentos, pelo uso obsessivo, compulsivo e desenfreado. Eu saía dos tratamentos, dava um tempo e usava de novo. E não usei pouco, era de metro”, afirma. De acordo com a família dele, foram 12 internações e os gastos relacionados ao problema com as drogas passaram de R$ 1 milhão e envolveram até o pagamento a agiotas. Apesar do sofrimento, os pais de Ricardo e a esposa nunca desistiram de buscar a cura dele.
Estatística desfavorável
De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), há 27 milhões de toxicodependentes com problemas graves de saúde e quase 200 mil pessoas morrem anualmente por causa do consumo de narcóticos ilegais. No Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas é responsável por cerca de 8% de todas as doenças existentes. A maconha é a principal droga ilícita utilizada, com cerca de 10% de adolescentes que fazem uso regular. Quase 1% da população brasileira consome cocaína e aparentemente metade desse consumo é na forma de crack.

De volta ao vício
Valdirene Oliveira Mota (foto ao lado) é outro exemplo de quem sofreu com a dependência química. “Sempre fui bem família. Na minha adolescência, fui conhecendo pessoas e me envolvi no mundo da música eletrônica. Comecei a tocar em baladas e festas. Só bebia e cheirava, mas ninguém percebia. Depois, perdi totalmente o controle e passei a usar todos os dias. Se estava feliz, usava; se estava triste usava também. Só fui contabilizando perdas: emprego, dinheiro, relacionamentos, sempre colocando a droga em primeiro lugar. Certo dia, meu marido disse para eu escolher entre as drogas e a família. Eu disse que não fizesse isso, pois o vício era mais forte e eu não tinha como enfrentá-lo”, relata.
Para Claudio Lana, (foto ao lado) especialista em cura de vícios, o que aconteceu com Ricardo e Valdirene é comum para um viciado. “Existem efeitos somáticos que são sentidos na hora em que as substâncias são usdas e efeitos psicológicos que dominam a mente do viciado depois do uso, que causam obsessão, compulsão, depressão, ansiedade, entre outros sintomas. Esse é o maior problema”, avalia.

Depois de tudo, a cura
Contudo, depois de tentar de tudo para se livrar do vício, Ricardo e Valdirene conheceram algo que os levou à cura: eles participaram do “Tratamento para a Cura dos Vícios”. De acordo com Lana, responsável pelo “Tratamento”, os encontros acontecem todos os domingos, em um espaço reservado na Universal da Avenida João Dias, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. “É a maior clínica para cura do viciado, sem internações, sem medicamentos, sem custos, e que garante a cura. Não se trata de religião. É um método. As pessoas que vêm ao tratamento em busca de ajuda o veem como uma luz no fim do túnel, uma esperança para quem vinha sofrendo há anos com os vícios”, afirma.
Outro detalhe, segundo Lana, é que o “Tratamento” inicialmente beneficia o viciado, em seguida sua família e consequentemente a sociedade. “A família ainda pode buscar a cura do familiar viciado sem que ele esteja presente. Uma metodologia de fé que tem provado sua eficácia através dos resultados”, diz. Segundo Lana, o fato de ter sido ex-usuário de drogas e conhecer a mente de um viciado também ajudam na aplicação do “Tratamento”. “Sofri com esses mesmos sintomas físicos, psicológicos e sociais. Estou curado há mais de 18 anos, sem desejos ou recaídas. Por isso, sou incisivo no que falo: toda doença tem um agente causador, se arrancarmos o agente causador, a doença acaba. Nós sabemos quem é o agente causador do vício e sabemos como arrancá-lo”, conclui.
        

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Epidemia de crack atinge dois milhões e coloca Brasil no topo do ranking de consumo da droga                    



Usuário fica dependente com facilidade por velocidade com que substância chega ao cérebro

Fonte: Do R7*

Droga causa problemas respiratórios severos, além de afastar usuário de familiares e amigos por conta do vícioAndré Freitas/AGNEWS
Larrissa, a personagem de Grazi Massafera na novela Verdades Secretas, se perdeu no mundo do crack. Magra, abatida e totalmente dependente, ela perambula pelas ruas em busca da droga. Assim como na ficção, na vida real, o crack (variação mais barata da cocaína) pode causar perda de apetite, do sono, depressão, e pode até matar, de acordo com especialistas ouvidos pelo R7. Só o Brasil representa 20% do consumo mundial de crack, e é o maior mercado da droga no mundo. No País, aproximadamente dois milhões de pessoas já usaram a droga, segundo a pesquisa mais recente do Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), realizado em 2012 pela Unifesp.
Ivan Mario Braun especialista do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), autor do livro Drogas, perguntas e respostas, afirma que o crack tem efeitos extremamente nocivos ao organismo. Uma das piores consequências é conhecida como “pulmão de crack”.
— É quando a pessoa tem o comprometimento do tecido pulmonar. É muito agressivo. Acaba corroendo as vias respiratórias e pode até levar à morte, mas, antes de prejudicar a respiração, os efeitos são febre, falta de oxigênio no sangue, insuficiência respiratória e catarro na garganta.
Porém, os impactos no organismo do crack no organismo podem ser devastadores devido à velocidade e potência com que seus componentes chegam ao pulmão e ao cérebro, segundo alerta o psiquiatria e psicólogo, responsável por pesquisas de ensaio clínico para o tratamento de dependência por crack da Unifesp, André de Queiroz Constantino Miguel.
— Geralmente, pessoas que fazem uso dependente de crack tendem a ficar mais impulsivas, irritáveis e com maior oscilação de humor. Com o tempo, ficam mais explosivas quando frustrados ou questionados sobre seu consumo por amigos ou familiares. Seus interesses por atividades alternativas diminuem e seu foco se restringe basicamente às atividades ligadas ao uso.
Além disso, Miguel alerta que a necessidade do crack pode deixar a pessoa mais agressiva.
— A vontade de consumir e não ter a droga disponível no momento causa maior agressividade e estresse, porque ela realmente precisa daquela quantidade de substância para se sentir motivada.
Segundo ele, o pico do efeito chega de 20 a 60 segundos depois do consumo e esse mesmo ápice dura de dois a cinco minutos.
— É a forma de absorção mais rápida que existe, até por isso, sua dependência é mais grave e seu padrão de consumo mais compulsivo.
Como a ação da droga é muito rápida, o usuário acaba consumindo mais pedras durante o dia, porque não consegue ficar em abstinência, explica o especialista do HC.
— É a chamada fissura. A pessoa fica apática. O efeito é oposto de quando a pessoa usa a droga, quando ela fica mais ligada e elétrica.
Dependência é rápida
Drogas estimulantes como o crack, a cocaína, a anfetamina e a metanfetamina, por exemplo, têm padrão diferente, porque hipersensibilizam o cérebro de forma mais intensa, que pra alguns vai promover o padrão de dependência mais forte e rápido,  segundo diz presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Drogas), Ana Cecília Marques.
— Pode chegar até à psicose cocaínica, que é quando a pessoa se vê perseguida, tem delírios e paranoias, pois está em um alto grau de intoxicação pela substância.
Segundo a especialista, toda pessoa que consumir crack, nem que seja somente por uma noite, vai apresentar quadro de depressão.
— Altera a dopamina e noradrenalina, que são os principais hormônios do cérebro, que modulam o humor e a frequência cardíaca, principalmente. Como libera toda a carga desses hormônios, o cérebro entra em crash, que é a depressão, porque altera a química cerebral.
Crack reduz apetite e leva à subnutrição
O crack também pode levar a perda de apetite, causando a perda de peso do usuário e até a subnutrição, alerta Ana Cecília.
— A droga atinge as áreas do cérebro responsáveis pela sensação da fome. O usuário dependente simplesmente deixa de comer. A droga afetou tanto essa área do cérebro que ele não sente mais fome. O centro de apetite está totalmente bloqueado.
Além disso, há também a perda de sono, além de afetar mecanismo de motivação, pois o desejo da pessoa é apenas pela droga, de acordo com Braun.
— A droga atua sobre os sistemas de vigília e alerta do cérebro, o encéfalo. A substância excita muito o sistema de gratificação, que está envolvido na motivação, por isso a agitação e a sensação de euforia, que leva à diminuição do sono. A dependência faz a pessoa focar somente na droga e esquecer o resto. Além disso, pode também causar a perda de ereção, já que a droga causa o fechamento dos vasos sanguíneos em todo o corpo.
Outra consequência no organismo é a perda de apetite sexual. Miguel conta está ligado à liberação de dopamina.
— Durante o período de uso existe até uma excitação, por isso perdem o foco e só pensam na droga.
Família é fundamental no tratamento
A tendência do usuário do crack é se afastar de amigos e familiares que não fazem uso e de se aproximar de quem usa o crack, explica o pesquisador da Unifesp.
— Quando o consumo chega a um padrão extremamente compulsivo, o indivíduo passa a ter problemas econômicos graves e passa a roubar seus familiares, o que traz ainda mais conflitos com a família.
O usuário, inclusive, deixa de apresentar sentimentos como o carinho e demais sentimentos afetivos.
— Em geral, sua prioridade afetiva está na droga. Se o usuário der ouvidos às pessoas mais queridas, que, geralmente, querem seu bem e por isso querem que ele pare de usar drogas, ele viverá um conflito entre essa fala e seu desejo de usar. Por isso, enquanto ele escolhe usar a droga, tende a diminuir sua empatia pelas pessoas.
Miguel ainda afirma que a família é fundamental para o sucesso da luta contra o vício.
— Quando a família participa do tratamento a chance aumenta muito. Mas sempre depende da postura do paciente. Em alguns momentos sua crítica pode estar comprometida, mas na imensa maioria das vezes os usuários têm discernimento sim de onde estão e onde gostariam de estar.
Não avaliação de Ivan Mario Braun a pessoa precisa ter força própria para sair da droga, mas que a família precisa buscar ajuda profissional para saber lidar com o usuário na busca do tratamento. A família deve começar a intervir quando o usuário apresentar mudanças de comportamento, como a perda do sono e do apetite, por exemplo, complementa a presidente da Abead.
— É muito difícil a pessoa sair sozinha, ainda mais quando é jovem, porque não se vê dependente. Aí entra o papel da família de ajudar. Mas a pior situação é das pessoas que perderam tudo, que não têm família, e ficam lá, como animais vivendo nas ruas esperando a atuação do Estado.

*Colaborou Brenno Souza, estagiário do R7

Em Limeira interior de São Paulo a Ong Unidos Contra o Crack sob coordenação do Pastor Nilton Santos, realiza trabalho de prevenção e acompanhamento as famílias que possuem dependentes da Droga Crack.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Prince recebeu tratamento para overdose apenas seis dias antes de morrer

Prince teria sido internado para tratar de uma overdose
Prince teria sido internado para tratar de uma overdose Foto: CHRIS PIZZELLO / REUTERS
Fonte: Extra


O cantor Prince recebeu tratamento para overdose de drogas apenas seis dias antes de ser encontrado morto em sua casa nos Estúdios Paisley Park em Chanhassen, nos arredores de Minneapolis, nos Estados Unidos. Segundo o site “TMZ”, várias fontes contaram que o jato particular do cantor fez um pouso de emergência em Moline, no estado de Illinois, na ultima sexta-feira, horas depois de um show em Atlanta.
Na ocasião, os agentes do cantor afirmaram que ele estava com uma gripe, algo que foi questionado pela imprensa porque o avião pousou apenas 48 minutos antes do previsto. Várias fontes em Moline afirmam que o cantor foi levado às pressas para um hospital e os médicos deram-lhe um coquetel de drogas para neutralizar os efeitos do ópio.
Ainda segundo o site, os médicos aconselharam Prince a ficar no hospital por 24 horas, mas seus agentes exigiram uma sala privada. Como não era possível, Prince decidiu sair do local e, após três horas, voltou para casa.
Autoridades do estado de Minnesota, onde Prince morava, deseja ter acesso aos registros hospitalares de Moline para ajudar a determinar a causa da morte. Os representantes do cantor se recusaram a comentar o assunto.

Cantor visitou farmácia antes de morrer

O site “TMZ” também teve acesso a uma foto de Prince horas antes de morrer indo a uma farmácia da rede Walgreens perto de sua casa. Essa teria sido a quarta vez que ele visitou o local na última semana. Fontes da publicação também contaram que Prince visitava a loja Walgreens da região há anos, mas os funcionários ficaram preocupados porque ele parecia mais frágil e nervoso que o habitual.