terça-feira, 25 de novembro de 2014

"Álcool: uma droga legal devastadora
Entenda os perigos de “beber socialmente”
O uso de entorpecentes é um costume antigo e tem raízes culturais em diversas civilizações. Seja em rituais ou cerimônias religiosas, de forma medicinal, no alívio de sintomas, ou para servir de puro entretenimento, o tema gera debates acirrados. Entretanto, as pessoas se esquecem, ou preferem ignorar, que as drogas legais, como o álcool e o cigarro, são tão destrutivas e danosas quanto a maconha, a cocaína e as outras que normalmente são repudiadas pela sociedade.Embora estudos apontem que a ingestão de álcool e o hábito de fumar sejam prejudiciais à saúde e ocasionem o vício, podendo levar a pessoa ao mesmo estado de um viciado em crack, por exemplo, as pessoas continuam a consumir bebida alcoólica e cigarro sem qualquer receio das consequências.Para a psicóloga Paula Aparecida Buzzo, do Hospital Santa Cruz, em São Paulo, a dependência ocorre porque a pessoa não acredita mais que será capaz de realizar algo sem antes usar a droga – legal ou ilegal –, que proporciona uma sensação inicial agradável de força, de poder. “No entanto, podem não perceber que, neste momento, estão perdendo o controle sobre o uso. Por isso, mesmo com tantas informações sobre os danos que as drogas podem causar, existe a ilusão do controle”, alerta ela.O cigarro já passa por um processo de desvalorização, com as campanhas antifumo e a proibição de fumar em lugares públicos. Mas o mesmo ainda não acontece com o álcool, que tem seu consumo incentivado como uma bebida social. As pessoas que não o consomem são muitas vezes vistas como “caretas”.
“Engatinhava para subir as escadas”
Patrícia Nossig (foto ao lado), de 34 anos, conta que ela também via o uso de álcool como uma coisa normal, mesmo com um histórico de alcoolismo na família. “Eu ia à casa da minha avó materna e levava uma garrafa de bebida como se fosse um presente. Eu cresci convivendo com o alcoolismo da minha mãe. Era muito triste para mim, para o meu pai e para a nossa família. Passávamos humilhação e vergonha por termos de ir ao bar atrás dela. Eu não ia. Quando ela estava lúcida, eu a amava, mas quando estava bêbada, eu tinha um ódio, tinha vontade de bater. Não chegava perto. Quando vinham me avisar que ela estava lá, caída, eu dizia para deixar ela lá, pra não virem me avisar”, conta.A mãe de Patrícia começou a frequentar as reuniões da Universal e conseguiu se libertar do vício. Mas a moça, por outro lado, passou a beber mais. “Meu marido começou a brigar comigo, dizendo que eu brigava com a minha mãe e agora estava fazendo igual a ela. Havia dias que chegava em casa tão alcoolizada que engatinhava para subir as escadas.” E, para completar, ela também fumava, algo que o marido não suportava.


Na ânsia de tentar preencher o vazio que sentia, Patrícia não conhecia limites quando estava numa mesa de bar. “Começava com cerveja, depois ia para a vodca e para o uísque. Tudo o que a minha mãe fazia, como dirigir bêbada, eu passei a fazer. Eu queria viver intensamente. Pensava que ia relaxar, mas sempre me excedia.”Depois de muito sofrimento, ao perceber que seu casamento estava por um fio, que sua filha estava perdendo o respeito por ela, assim como havia acontecido com ela em relação à mãe, Patrícia decidiu frequentar a palestra Tratamento para cura dos vícios na Universal, e tudo mudou na vida dela. “Quando eu parei de fumar e beber, meu casamento mudou. Minha filha começou a me ver com outros olhos, passou a me respeitar. Quando a gente bebe, as pessoas não nos respeitam. Antes eu passava os domingos curando ressaca, no quarto escuro, hoje passo em família.”
"Usava cocaína como anestésico"
Como é possível se livrar das drogas e dos seus prejuízos?


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O impacto das drogas é grande e o estrago causado não atinge apenas a vida dos viciados. Os prejuízos afetam tanto os usuários quanto familiares e amigos que estão ao redor. Para ampliar ainda mais a zona de destruição, o uso dessas substâncias também compromete o lado profissional dos dependentes.No Brasil, o número de afastamentos do trabalho por uso de drogas tem crescido a cada dia. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que o número de pessoas que precisaram se ausentar das atividades profissionais por causa da utilização de entorpecentes aumentou de forma significativa entre os anos de 2009 e 2013. Por motivo de alcoolismo ou dependência química, o número de auxílios-doença disponibilizados para a população cresceu mais de 50% nos Estados do Amapá, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e no Distrito Federal.Os vícios comprometem a realização das atividades profissionais diárias, causam redução na produtividade, geram perda de concentração, atrasos constantes e aumento do número de faltas e das licenças médicas, além de outros problemas que impedem o trabalhador de exercer a profissão de forma correta e eficiente. Essas consequências mostram o quanto o uso de drogas pode devastar, por completo, a vida do trabalhador.O economista Renato Junqueira, de 55 anos, sabe bem como o problema dos vícios é capaz de causar uma verdadeira reviravolta na vida das pessoas. “Eu estava passando por dificuldades pessoais e também profissionais, pois a empresa estava enfrentando problemas de gestão. Estava com dificuldades financeiras e não sabia lidar com a possibilidade de fracasso. Eu saía do trabalho, bebia um pouco e usava droga fora do expediente”, conta.Diante das adversidades, o uso se intensificou. A droga, que era usada ocasionalmente, passou a ser usada para afastar Renato da realidade e dos problemas.“Eu pensava: o que fazer daqui para frente? Me esconder atrás das drogas. A cocaína, que era usada de forma recreativa, passou a ser usada como anestésico. Usava porque não queria pensar no momento ruim. Foi como um gatilho para a destruição”, lembra.


Romenos que moram no esgoto são amparados pela Universal
Grupo Anjos da Madrugada visita viciados e doentes para levar esperança aos que vivem em condições precárias
 Debaixo da terra se estende uma cidade morta. Ela é suja, úmida e escura. Ali as pessoas dividem espaço com animais grotescos, é preciso rastejar em buracos com 30 centímetros de altura para alcançar alguns lugares e as entradas, várias vezes, são crateras no cimento que dividem a Bucareste capital da Romênia e a Bucareste capital das drogas.Desenvolvida dentro do antigo sistema de aquecimento e esgoto da cidade, a Cracolândia romena existe desde a queda do comunismo, em 1988. Ela abriga centenas de pessoas, ratos e baratas.O lugar é foco de doenças contagiosas e por ele se espalham seringas usadas. Por compartilharem drogas, todos os dependentes sofrem de Aids, tuberculose ou hepatite. A subcidade oferece perigo para quem mora ali e para quem se aproxima e, por isso, ninguém mais tenta alcançar aqueles dependentes. Mas há exceções.Com pães, marmitas e força de vontade, evangelistas da Universal se deslocam até o local, reúnem os moradores e distribuem alimento para o corpo e para a alma. O grupo Anjos da Madrugada romeno é capaz de alcançar até os mais desesperados. É o caso de Ioan, um homem que viu as drogas arrancarem tudo que ele conquistou na vida e não teve poder para reagir. “Eu já tive família, trabalho e casa, mas perdi tudo”, conta. “Agora, com a ajuda do grupo, vou lutar para viver livre de uma vez por todas dos vícios”, diz.O caminho não será fácil, mas, graças ao trabalho da Universal, agora ele tem forças para lutar por uma vida melhor.
Fora do buraco


Enquanto nem o governo romeno enxerga uma maneira de ajudar os dependentes químicos da Cracolândia, a Universal faz o que pode por quem está abaixo e acima do chão.Com programas na TV, folhetos, jornal e pelas mídias sociais, milhares de pessoas são atingidas e aprendem a usar a fé de forma inteligente, melhorando, assim, sua qualidade de vida.“Muitas pessoas chegam aos templos como a última tentativa para resolver os seus problemas e ficam extremamente agradecidas”, revela o responsável pela Universal no país, pastor Luciano Almeida.“Muitas pessoas nos recebem bem e reconhecem o nosso trabalho. Dessa forma, a Universal tem quebrado as barreiras do preconceito”, conta.A estudante Andreea Sarbu, (foto acima) de 19 anos, é um exemplo de êxito da ação do grupo. Órfã desde cedo, a menina, que já era tímida e sofria com baixa autoestima, afundou-se na depressão e bulimia. “Eu era sem personalidade, tinhas pensamentos negativos e provocava meu próprio vômito”, relata. Como última tentativa antes de desistir de viver, ela buscou ajuda em Deus. “Recebi palavras de incentivo dos pastores, que me ajudaram. Venci os maus pensamentos e comecei a minha luta. Hoje já não sou uma jovem tímida, não sofro mais com a bulimia, aprendi a gostar de mim e a me valorizar. Sou uma jovem corajosa, positiva, confiante, entrei na faculdade e tenho certeza de que, por meio da fé, vou atingir os meus objetivos”, comemora.
Força Jovem do Paraná utiliza o esporte na luta contra os vícios
Evento reuniu mais de 5 mil pessoas no Círculo Militar, em Curitiba
O Força Jovem Universal de Curitiba, no Paraná, utilizou o esporte para conscientizar a população sobre o perigo das drogas. Mais de 5 mil pessoas compareceram ao Círculo Militar do Paraná, local em que aconteceu o FutShow, uma partida de futsal beneficente entre times locais marcando a final da “Copa Libertadores do Crack”. Além da partida, o evento contou com apresentações de dança e música para animar as torcidas.O responsável pelo Força Jovem Universal no Paraná, pastor Roque Vicente Junior, de 32 anos, fala mais sobre o objetivo do evento. “Eventos e projetos como esse têm como objetivo ocupar a mente dos jovens, tirá-los das drogas, da criminalidade e mostrar que eles têm valor”, explica.Nelsen Cardoso, de 27 anos, é assessor parlamentar e fez questão de levar amigos dependentes químicos ao encontro para que eles tivessem o mesmo apoio que um dia ele recebeu. “Eu usava LSD, heroína, bebida alcoólica e cristal (que é uma droga mais forte que a cocaína). Vivia cercado por amigos, mas era triste, vazio e, por conta disso, tentei me suicidar várias vezes”, lembra.No grupo, ele percebeu que poderia ter um novo futuro. “Uma vez, fui abordado por um integrante da FJU que insistiu para que eu conhecesse o trabalho. Aceitei, recebi uma oração e me senti muito bem. Aos poucos, decidi largar os vícios, Deus me deu forças e nunca mais usei drogas. Eu resgatei o que havia de bom em mim”, conclui.